edição: 8 número: 8ano: 2015período: Julho-Dezembro 2015  

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REBECA: Trajetória, Conquistas e Expectativas

Ao completarmos quatro anos como editores de REBECA, e finalizando nossa gestão, gostaríamos de registrar aqui os caminhos que trilhamos, realizações e perspectivas. Neste período, foram publicados oito volumes. Queremos ressaltar o trabalho coletivo que realizamos, desde o planejamento da revista, iniciado em 2010, como projeto editorial, até a sua execução, a partir de 2011, com a primeira publicação em janeiro de 2012. REBECA foi concebida como um novo espaço para a publicação de pesquisas acadêmicas na área de estudos de cinema e audiovisual, com as seguintes seções: Temas Livres, que apresenta artigos sobre temas variados; Dossiê, com temática própria; Entrevistas; Resenhas e Traduções; e, sem deixar de oferecer aos seus leitores uma seção criativa, com perfil menos acadêmico, a seção Fora de Quadro.

A primeira equipe de editores, constituída na diretoria da SOCINE gestão 2009- 2013, sob a presidência e vice-presidência de Maria Dora Mourão e Anelise R. Corseuil, respectivamente, contou com os seguintes editores: Anelise R. Corseuil, editora-chefe; e os editores associados Laura Cánepa, na seção de Temas Livres; João Guilherme Barone, Dossiê; Rubens Machado Jr., Fora de Quadro; André Gatti, Entrevistas; e Alexandre Figueiroa, Resenhas e Traduções. A partir de 2013, sob a direção de Afrânio Coutinho e Tunico Amancio, presidente e vicepresidente, respectivamente, a equipe editorial se expandiu com a inclusão dos seguintes nomes: Tunico Amancio, editor-chefe; José Soares Gatti, seção Temas Livres; Dossiê, João Luiz Vieira; Entrevista, Mariana Baltar; Resenhas, Rogério Ferraraz; e Fora de Quadro, Fabio Uchoa. Os editores-chefes trabalharam com suas equipes em números alternados.

Cabe aqui ressaltar o esmerado projeto de concepção de REBECA, em 2010, sob a coordenação de Mariana Baltar. Igualmente importante foi o trabalho de nossa primeira secretária-executiva, a nossa querida Paula Paschoalick, cuja dedicação e atenção tornaram possível a publicação da revista. Posteriormente, contamos com os cuidadosos trabalhos da secretária-executiva Débora Rossetto. Além destas pessoas, nossos pareceristas, revisores e tradutores foram parte fundamental de nossa equipe. Nosso conselho editorial e consultivo conta hoje com 35 pesquisadores e dezenas de pareceristas de várias regiões do Brasil e de vários continentes. Os artigos submetidos incógnitos são analisados por dois pareceristas antes de qualquer publicação, e em caso de empate, temos um terceiro parecerista. Na CAPES, a classificação QUALIS da REBECA, na área de avaliação Letras/Linguística, é A2. Nosso trabalho coletivo, o caráter transdisciplinar da revista e o reconhecimento da qualidade editorial possibilitaram a consolidação de REBECA como canal de divulgação das pesquisas e trabalhos criativos dos estudos de cinema e do audiovisual e áreas afins.

Nos últimos quatro anos, publicamos um total de 96 artigos, distribuídos entre o Dossiê e a seção Temas Livres, com uma média de 12 artigos por volume. O Dossiê, ao longo destes anos, contemplou assuntos variados, cobrindo os seguintes temas: o cinema da década de 2000; os gêneros cinematográficos; a memória da expressão audiovisual; documentário (tema publicado em dois volumes); cinema latino-americano; e, neste volume atual, cinema, baixo orçamento e inovação. Nas outras seções publicamos nove entrevistas, 23 resenhas, duas traduções e 25 ensaios criativos na seção Fora de Quadro.

Desde 2012, tivemos uma média de 1/3 de artigos oriundos de pesquisadores do exterior, sendo que no volume 7 de REBECA alcançamos 50% de publicações de pesquisadores do exterior – um forte indicador do processo de internacionalização do periódico, que alcança também excelente representatividade no Brasil, com artigos de todas as regiões do País, inclusive do Norte, mas com preponderância do Sudeste. Neste volume 8, por exemplo, a região Nordeste foi responsável por mais de 50% dos artigos.

A excelente distribuição de nossas publicações demonstra a importância de REBECA como um canal de publicações da área de Estudos de Cinema e do Audiovisual. Igualmente importante é registrarmos que nestes últimos quatro anos, além do trabalho intenso com as publicações semestrais, buscamos dar visibilidade à publicação em bases confiáveis, como o QUALIS. REBECA, assim como centenas de outros periódicos, não foi incluída na avaliação QUALIS de 2014 da CAPES, quando a plataforma SUCUPIRA substituiu o Coleta CAPES. Também incluímos REBECA no Latindex, outra importante base de dados de indexação. Durante todo o período de gestão, mantivemos a periodicidade e conseguimos divulgar os trabalhos em nível nacional e internacional.

Em relação ao fator de impacto de REBECA, ferramenta necessária para a sua internacionalização, acreditamos que em um futuro próximo os editores devam priorizar a necessidade de incluir REBECA em indexadores internacionais e nacionais, como SCOPUS, Web of Science e SciELO. Estes indexadores dão visibilidade às suas publicações, colocando-as em patamares internacionais de fator de impacto relevante. Os índices bibliométricos projetados por base de dados, tais como o SJR – SCImago Journal & Country Rank; Web of Science; o Fator de Impacto (I.F.), criado pelo Institute for Scientific Information (I.S.I.) e gerado pelo Science Citation Index (SCI); e o Journal Citation Report (JCR) são importantes por permitirem a circulação da informação publicada nos periódicos.1 Tais indexadores adequam o periódico não apenas às demandas sugeridas em sistemas de avaliação, como o QUALIS, mas a demandas de um cenário internacional. Talvez este seja o grande desafio dos editores que assumem a gestão do periódico, para além dos conceitos auferidos pelo QUALIS. Qual o lugar das pesquisas dos estudos de cinema e do audiovisual hoje no Brasil e sua inserção em um cenário internacional de circulação de informação? Arriscamos algumas respostas: para tornarmos a revista competitiva em nível internacional, precisamos melhorar o índice bibliométrico, manter a periodicidade de REBECA, bem como expandi-la para o regime quadrimestral, e, principalmente, investir na indexação em bases como a SCOPUS, SciELO e Web of Science.

Volume atual
Apresentamos aqui um relato dos editores de cada seção e introduzimos os trabalhos publicados neste oitavo volume de REBECA.

Dossiê
Editar um Dossiê para a REBECA foi um enorme desafio, desde a primeira edição. Recortar e propor um tema e aguardar a resposta traduzida em artigos encaminhados para seleção não é algo assim tão simples quanto parece. A proposta de um Dossiê tem que ser suficientemente provocativa para fazer aflorar as inquietações de uma boa parte da comunidade. É importante poder contar com os editores para uma discussão que traga realmente alguma certeza sobre essas escolhas temáticas. Mas é fato que é a incerteza que move a ciência, e nos dossiês da REBECA não poderia ser diferente. Tivemos um bom resultado qualitativo, transitando por temas que incluíram os gêneros cinematográficos, memória, o documentário, para citar alguns, e os artigos publicados certamente trouxeram suas contribuições. Foi uma experiência das mais estimulantes.

O Dossiê desta edição é dedicado aos fenômenos relacionados a um tipo de cinema que ganhou a denominação genérica de “baixo orçamento”, em oposição ao cinema industrial voltado para as grandes audiências. Proposta das mais provocativas, o objetivo era trazer à tona algumas reflexões sobre um tipo de cinema feito de relações colaborativas, numa dimensão mais artesanal, e mesmo artística, respondendo por uma certa renovação estética e narrativa. Os artigos selecionados resultam num panorama dos mais estimulantes, começando por “Joe Dante, o horror e o baixo orçamento: piranhas, gritos de horror e desenhos animados”, de Sérgio Eduardo Alpendre de Oliveira, onde os dois primeiros longas do diretor são analisados em suas tipologias referentes aos filmes ambientados em situações decorrentes de catástrofes naturais e o clássico filme de lobisomem. Em “A experimentação latente no cinema e o experimental como estratégia de superação”, de Natália Aly Menezes, o objetivo é mostrar qual a importância do cinema experimental, para dar seguimento a importantes ramificações do audiovisual na contemporaneidade, livre do mercado e da indústria do cinema. Nada mais adequado à proposta da seção. Há também “O cinema (em) comum de Morro do Céu”, de Scheilla Franca de Souza, voltado para analisar as formas de expressão do comum, sobretudo no que tange à realização compartilhada e coletiva, característica marcante deste longa realizado em 2009 por Gustavo Spolidoro. Finalizando a seleção, “Guimarães 2012, capital europeia do cinema de baixo custo?”, de Paulo Cunha e Helyenay Araújo, apresenta revelações importantes sobre a atenção dos europeus a este cinema de custos menores e suas contribuições para o que seria um ecossistema cinematográfico mais saudável. O artigo traz também dados pouco conhecidos sobre o cinema português e seus embates institucionais.

Temas Livres
A seção de Temas Livres pautou-se desde o início pela variedade e pela amplitude de temas, autores e abordagens, compondo um retrato de tendências e espaços existentes nos estudos de cinema e audiovisual. Ao funcionar em fluxo contínuo, recebeu dezenas de textos a cada edição da REBECA e contou com a colaboração de pareceristas da área, que deram uma contribuição fundamental para a qualidade e coerência da revista.

Nesta edição, a tradição da seção está mantida. Temos um estudo sobre a crítica cinematográfica no texto "Leituras de Santiago a partir da crítica cinematográfica", de Suellen Rodrigues Ramos da Silva e Luiz Antonio Mousinho; uma análise de filmes experimentais e ensaísticos em "Chris Marker e a perdição do tempo", de Pedro Trindade Kalil; reflexões sobre o cinema brasileiro em "O cinema nacional contemporâneo em perspectiva comparada: Uma análise filmosófica de O meu nome não é Johnny", de Deise Quintiliano Pereira; uma reconstituição histórica em "Fazer um filme em São Paulo nos anos 1920: o caso de Às Armas, de Otávio Gabus Mendes”, de Sheila Schvarzman; uma abordagem dos estudos culturais em "A trajetória fílmica do cangaceiro urbano: de Lima Barreto a Eduardo Coutinho", de Gilvan Melo Santos; um estudo sobre afeto e poesia em "Territórios afetivos em Cinema, aspirinas e urubus: a articulação de códigos como sedução poética", de Genilda Azeredo; e uma reflexão sobre o cinema e o pós-humano em "A pele que habito e a biotecnologia: análise fílmica de uma ontologia indeterminada" realizada pela equipe de Fabio Zoboli, Josineide de Amorim dos Santos, Renato Izidoro da Silva e Elder Silva Correia.

Este grupo de textos escritos por pesquisadores de diferentes instituições e regiões é uma amostra da abrangência e do alcance da SOCINE – algo que a seção de Temas Livres da REBECA sempre buscou reproduzir e incentivar.

Entrevistas
A seção Entrevistas tem buscado a interlocução entre o meio acadêmico e a produção cultural no Brasil e no mundo, com o relato de diretores, artistas do audiovisual e intelectuais. Ressaltamos e listamos os trabalhos até agora realizados: em nosso último número, pesquisadores da PRALA (Plataforma de Reflexão sobre o Audiovisual Latino Americano) - grupo de pesquisas situado na UFF, que se dedica especialmente ao desenvolvimento de estudos comparados sobre o cinema latino – entrevistaram o crítico e pesquisador Paulo Antonio Paranaguá. Em 2014, na Cinemateca, um grupo de pesquisadores do cinema e do audiovisual, coordenado pelo professor José Gatti, entrevistou Ismail Xavier, o primeiro pesquisador da área de cinema e do audiovisual a receber a Ordem do Mérito Cultural, láurea outorgada a ele em 2012 pelo Ministério da Cultura. Tivemos também as seguintes entrevistas publicadas nos primeiros volumes de REBECA: Melanie Einzig, entrevistada por Susana Dobal; Maurice Capovilla, por Reinaldo Cardenuto; Tsai Ming-liang, por Cecília Antakly Mello; João Batista de Andrade, por Gilberto Alexandre Sobrinho; e Gustavo Dahl, por Arthur Autran. As entrevistas abriram um espaço marcadamente diferenciado em uma revista acadêmica, mas que busca sempre abrir o diálogo com a produção cultural em nível nacional e internacional. Dentro desta perspectiva, publicamos em nosso volume 8, as seguintes entrevistas: “BélaTarr e sua estética do cotidiano, seu cinema do tempo” e “Víg Mihály, o compositor de poucos acordes”, ambas realizadas pela pesquisadora de cinema Lídia Mello.

Resenhas e Traduções
Neste período, a seção Resenhas e Traduções intensificou a publicação especialmente de resenhas, tendo em vista o avanço das publicações na área dos estudos de cinema e audiovisual. O objetivo foi o de gerar a reflexão e apresentar um breve panorama sobre importantes obras publicadas, no Brasil e no exterior, nos últimos anos. Obras que abarcassem essa vasta área em seus mais diversos campos, do cinema à televisão, dos vídeos online aos games, a partir das mais variadas perspectivas, da produção autoral à de gênero, das análises de narrativas ficcionais ao pensamento sobre o documentário, entre outras.

Nesse número, a seção Resenhas e Traduções apresenta artigos de Fernanda Martins sobre o livro A personagem no documentário de Eduardo Coutinho, de Cláudio Bezerra; Belisa Figueiró sobre a coletânea Argentina-Brasil no cinema: diálogos; e Filipe Falcão, em torno do livro Era uma vez no Spaghetti Western - O estilo de Sergio Leone, de autoria de Rodrigo Carreiro; além da tradução do artigo "Poética histórica, narrativa e interpretação", de Ira Bashkar, feita por Cid Vasconcelos.

O livro A personagem no documentário de Eduardo Coutinho é fruto da tese de doutorado do professor Cláudio Bezerra, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e é mais um trabalho a se debruçar sobre a obra de um dos nomes mais importantes do documentário brasileiro. Em sua resenha, Fernanda Martins aponta, no estudo realizado, o poder de apreensão do autor sobre o estilo Coutinho de fazer cinema.

A coletânea organizada pelo professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Tunico Amancio é composta por artigos de pesquisadores brasileiros e argentinos. Em sua resenha, Belisa Figueiró destaca como o livro busca uma aproximação entre as duas maiores cinematografias sul-americanas, englobando as mais diferentes perspectivas, sem deixar de convergir para um propósito em comum muito bem delineado.

A terceira obra resenhada é do professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Rodrigo Carreiro, onde ele aborda um tema ainda pouco explorado por pesquisadores: o spaghetti western, focado sobretudo na obra do cineasta Sérgio Leone. No texto sobre o livro, Filipe Falcão observa o relato apaixonado de Carreiro sobre o tema e o precioso documento analítico por ele produzido.

Por fim, temos o artigo de Ira Bhaskar, professora da School of Arts and Aesthetics, da Jawaharial Nehru University, em Nova Delhi, que, embasada nas teorias de Mikhail Bakhtin, defende que a “poética histórica” pensada por David Bordwell, ao se centrar efetivamente em aspectos formais e relativos ao modo de produção do cinema, constrói uma proposta neo-formalista, incapaz de se abrir para dimensões de sentido que as transcendem. Segundo Bhaskar, elas estariam vinculadas a significações culturais e ideológicas incapazes de serem adequadamente contempladas pelo método empregado pelo autor.

Fora de Quadro
A seção Fora de Quadro nasceu de uma preocupação nossa com a crescente padronização (no mau sentido) dos modos de se exprimir e da linguagem empregada nos estudos de nossa área, principalmente se cotejados com as áreas de humanidades em geral. Mesmo com a recente voga das questões do ensaio entre nós, se assevera cada vez mais a invariância de estilos na maneira de contemplar os mais diferentes assuntos, como se a singularidade das experiências e dos objetos tratados nada exigisse de singular também no seu tratamento. Partimos da ideia de que a história da reflexão e da crítica em cinema e audiovisual está longe de se realizar apenas por estudos acadêmicos especializados; ou mesmo pelas convencionais colunas de críticos do periodismo impresso ou eletrônico — ainda que esta última permita de fato uma liberdade muito maior. Em distintas épocas, cronistas, ilustradores, chargistas, poetas, humoristas, escritores e artistas diversos, com frequência, enriqueceram o debate sobre a produção audiovisual de modo inspirador, para não falarmos dos próprios cineastas – sim, os realizadores! E sabemos todos que o cinema refletiu e criticou o próprio cinema, supõe-se até que as formas audiovisuais se autocriticam mesmo quando não pretendem fazê-lo. Fora de Quadro destina-se à tentativa de ampliar os meios e procedimentos da reflexão sobre cinema e audiovisual. Essa hoje sofre, de par com a sua expansão, uma relativa limitação no que se refere tanto ao material analisado (além das obras audiovisuais, apenas as tradicionais referências bibliográficas de teoria, crítica ou ainda a entrevista), quanto aos estilos de discurso praticado em nossos próprios textos habituais, cada vez mais padronizados em suas linguagens menos inventivas e menos capazes de dar conta da riqueza inspirada pelo material estudado. Nesse sentido, buscamos nestes quatro anos a diversificação de um outro olhar sobre o cinema, apresentando matérias de diferentes tamanhos, épocas, suportes, linguagens: publicamos charge, poema, diálogo, foto, nota de projeção, argumento, crônica jornalística ou literária, artigo de intervenção, excerto de fita, homenagem, a boa e velha crítica de filme, depoimento pessoal, breve análise, manifesto, miniensaio etc. É bem verdade que somente cerca de 20% do que publicamos na seção nos chegou pelo sistema de submissão, o que se traduziu em editores que fossem atrás; verdadeiros editores-pesquisadores abertos a toda modalidade de reflexão crítica fora dos formatos acadêmicos vigentes. Isso torna a persistência da seção bem mais dificultosa, e algo quixotesca (dada a ventania unidimensionalprodutivista), muito embora prazerosa e satisfatória. Nessa tarefa colaboraram nomes famosos e desconhecidos, como Aírton Paschoa, Albert Elduque, Andrea Tonacci, Anselm Jappe, Carlos Eduardo Pereira, Carlos Felipe Moisés, Edgard Navarro, Eric Rohmer, Fábio Camarneiro, Fábio Uchôa, Fabrício Corsaletti, Felipe de Moraes, Francis Vogner dos Reis, Gabriela Wondracek Linck, Glauber Rocha, Guilherme de Almeida, Inácio Araujo, Jaguar, Jean-Claude Bernardet, Jomard Muniz de Britto, King Vidor, Margarida Maria Adamatti, Marina Takami, Olgária Mattos, Paulo Emilio Sales Gomes, Pedro Plaza Pinto, Tiago Mata Machado, Marcelo Lyra, Marco Dutra, Rubens Machado Jr., Rubens Rodrigues Torres Filho, Scott MacDonald, Vinícius Dantas, Waldemar Lima.

Num contexto em que a crítica cede o lugar ao exercício de erudição que mostra cada vez mais dificuldades em analisar as obras, ofuscando-as com um brilho bem maior dos conceitos escolhidos a dedo, neste oitavo volume de REBECA, apresentamos o texto “De repente, uma paixão Sem Título #1: Dance of Leitfossil de Carlos Adriano por Scott MacDonald”. Nele ocorre o contrário: o filme brilha tanto ou mais que os conceitos que se tenta aproximar do filme, como sói acontecer na boa crítica imanente. O historiador, crítico e curador analisa o filme do cineasta experimental, expondo suas articulações formais confrontadas comparativamente a outros filmes do mesmo autor e a outras de Bruce Conner e Hollis Frampton, apontando as suas singularidades de expressão e conteúdo. O analista revela a sua própria experiência diante do filme que investiga, e a coloca em diálogo com o repertório de seu ambiente estadunidense, sem descuidar de uma busca de interlocução com o realizador e seu meio.

Desejamos a todos uma boa e produtiva leitura!
 
> Anelise R. Corseuil, Tunico Amancio (editores-chefes), João Guilherme Barone e João Luiz Vieira (seção Dossiê), Laura Cánepa e José Gatti (seção Temáticas Livres), André Piero Gatti e Mariana Baltar (seção Entrevistas), Alexandre Figueirôa e Rogério Ferraraz (seção Resenhas e Traduções), Rubens Machado Jr. e Fábio Uchoa (seção Fora de Quadro).